A corrida pela Presidência da República entra na reta final antes do primeiro turno com a disputa cada vez mais concentrada entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Ao mesmo tempo, o chamado voto útil ganha espaço nas estratégias eleitorais e a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Banco Master aparece entre os temas que podem influenciar parte do eleitorado.
A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (24) mostra Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 36%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, a diferença entre os dois está no limite da margem de erro.
Na sequência aparecem Augusto Cury (Avante), com 5%; Ronaldo Caiado (PSD), com 4%; Renan Santos (Missão), com 3%; e Romeu Zema (Novo) e Samara (UP), ambos com 1%.
O levantamento ouviu 2.002 eleitores e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-00304/2026.
Voto útil ganha espaço
A concentração das intenções de voto nos dois primeiros colocados ampliou a discussão sobre o chamado voto útil nos últimos dias de campanha.
A campanha de Flávio Bolsonaro tem defendido a migração de eleitores de outras candidaturas de direita para o senador. Do outro lado, aliados de Lula também trabalham para consolidar e ampliar o eleitorado do presidente na reta final.
Com Cury, Caiado, Renan Santos, Zema e os demais candidatos disputando uma parcela menor do eleitorado, a capacidade das campanhas de manter seus votos ou atrair eleitores de outras candidaturas passa a ser um dos elementos a acompanhar até a abertura das urnas.
Rejeição também chama atenção
Outro dado do Datafolha ajuda a dimensionar o grau de polarização da eleição. Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com o mesmo índice de rejeição: 45% dos entrevistados afirmam que não votariam de jeito nenhum em cada um deles.
O índice pode ganhar importância na reta final, especialmente diante da possibilidade de a disputa presidencial seguir para o segundo turno.
Caso Master e crise no STF chegam ao cenário eleitoral
Além da disputa direta entre as campanhas, a crise envolvendo o STF e os desdobramentos do caso Banco Master passaram a integrar o ambiente político da eleição.
Pesquisa Datafolha divulgada em 18 de setembro apontou que 47% dos entrevistados afirmavam que a crise envolvendo o Supremo e o Banco Master teria algum grau de influência em sua decisão de voto para presidente.
O mesmo levantamento mostrou percepções diferentes sobre quem poderia ser politicamente afetado pelo episódio: 38% citaram Lula como prejudicado pela crise, enquanto 31% apontaram Flávio Bolsonaro.
Os números refletem a percepção dos entrevistados no momento da pesquisa e não permitem, por si só, determinar qual será o efeito efetivo do caso nas urnas.
Debate pode ganhar peso nos últimos dias
Outro ponto de atenção é o último debate presidencial previsto pela TV Globo para 1º de outubro. A campanha presidencial de 2026 teve, até agora, número reduzido de confrontos televisivos entre os candidatos, e Lula e Flávio Bolsonaro não participaram do primeiro encontro realizado na televisão.
Com a proximidade da votação, novas pesquisas, eventuais mudanças na opção dos eleitores e os últimos movimentos das campanhas devem concentrar as atenções até o primeiro turno.
A fotografia atual mostra uma eleição marcada pela concentração de votos em Lula e Flávio, pela tentativa de atrair o eleitor das candidaturas menores e pela entrada de novos temas — entre eles a crise no STF e o Caso Master — no debate da reta final.