Proposta que reduz a jornada de trabalho sem corte salarial entra na disputa política do segundo turno; governistas querem acelerar votação, enquanto oposição defende cumprimento dos prazos regimentais.
A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 voltou ao centro das discussões no Congresso Nacional e ganhou novos contornos políticos em meio ao segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O governo federal busca acelerar a votação da matéria, enquanto parlamentares da oposição defendem que a tramitação siga os prazos regimentais do Senado.
Nesta quinta-feira (8), está prevista mais uma sessão de discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que trata da redução da jornada de trabalho. A matéria já passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas ainda precisa ser analisada pelo plenário.
Para ser aprovada, a proposta necessita de pelo menos 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação no Senado.
Governo tenta acelerar votação
A base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula a antecipação da votação para antes do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
A proposta tem forte apelo entre trabalhadores e entidades sindicais, que defendem mais tempo de descanso, melhoria da qualidade de vida e redução do desgaste provocado pelas jornadas prolongadas.
A discussão também passou a integrar o debate eleitoral, ampliando a pressão sobre os parlamentares para que se posicionem sobre o tema.
Oposição defende cumprimento dos prazos
Parlamentares da oposição, especialmente integrantes do PL, defendem o cumprimento das etapas regimentais, o que poderá levar a votação para depois das eleições.
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a bancada ainda não definiu uma posição conjunta sobre o conteúdo da proposta.
Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sinalizou que a tramitação seguirá as regras da Casa.
Impactos econômicos dividem opiniões
Além da disputa política, o fim da escala 6×1 provoca discussões sobre os impactos econômicos da redução da jornada.
Representantes dos trabalhadores argumentam que a mudança poderá contribuir para a saúde física e mental dos empregados, além de proporcionar maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Por outro lado, setores empresariais demonstram preocupação com o aumento dos custos operacionais e a necessidade de contratação de novos funcionários, principalmente no comércio e nos serviços.
Decisão pode ficar para depois das eleições
Apesar da pressão política, ainda não há definição sobre a data da votação da proposta.
O avanço da matéria dependerá das negociações entre as lideranças partidárias e da formação de maioria no Congresso Nacional.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 deve permanecer entre os temas de maior repercussão nacional, tanto pelos efeitos sobre milhões de trabalhadores quanto pelo peso político da proposta na reta final da eleição presidencial.
Com Agência Senado e CNN Brasil.