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Acervo e pesquisas em chamas: incêndio na UFPE provoca perdas irreparáveis para a ciência

Fogo destruiu laboratórios, equipamentos e materiais científicos acumulados durante até 20 anos; prejuízo estimado chega a R$ 100 milhões e mobiliza comunidade acadêmica.

O incêndio que atingiu instalações da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, na noite desta quarta-feira (7), deixou um rastro de destruição que ultrapassa os prejuízos materiais e representa um duro golpe para a ciência brasileira. Laboratórios, equipamentos de alta tecnologia, amostras biológicas e pesquisas desenvolvidas ao longo de até duas décadas foram atingidos pelas chamas, comprometendo trabalhos científicos e a formação de novos pesquisadores.

A estimativa inicial é de que os prejuízos financeiros possam chegar a R$ 100 milhões. Entretanto, a maior preocupação da comunidade acadêmica está relacionada à perda de materiais e resultados de estudos que não poderão ser facilmente recuperados.

O incêndio atingiu um prédio que abrigava laboratórios dedicados a pesquisas nas áreas de genética, medicamentos, saúde e inovação tecnológica. Não houve registro de vítimas.

Anos de pesquisas comprometidos

Entre os trabalhos afetados estão investigações científicas relacionadas ao câncer, à Covid-19, à obesidade, ao autismo e a doenças imunológicas.

Um dos prejuízos mais significativos envolve a destruição de um acervo com mais de 10 mil amostras de pacientes com chikungunya, além de materiais biológicos utilizados em estudos desenvolvidos durante aproximadamente 20 anos.

O impacto também alcança a produção acadêmica. Segundo informações divulgadas pela universidade, cerca de 80 dissertações e teses estavam vinculadas aos grupos de pesquisa instalados no prédio atingido.

Para pesquisadores, a perda representa anos de dedicação, investimentos públicos e conhecimentos acumulados que poderiam contribuir para avanços na medicina e na saúde pública.

Incêndio provoca repercussão e mobiliza instituições

A dimensão dos danos provocou manifestações de solidariedade de universidades e instituições de ensino superior de Pernambuco.

O episódio também mobilizou o Ministério da Educação e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, diante da necessidade de apoiar a recuperação da estrutura e buscar alternativas para a continuidade das atividades científicas.

Além dos prejuízos imediatos, existe preocupação com o futuro de projetos de pesquisa, a formação de estudantes de pós-graduação e a preservação do conhecimento produzido com recursos públicos.

Polícia Federal investiga causas do incêndio

A Polícia Federal abriu investigação para esclarecer as circunstâncias do incêndio.

O caso ganha ainda mais relevância por se tratar do terceiro registro de fogo em instalações da UFPE em menos de duas semanas. As ocorrências anteriores foram registradas no Departamento de Física, em 30 de setembro, e no Centro de Biociências, em 4 de outubro.

Até esta quinta-feira (8), não havia confirmação oficial sobre as causas do incêndio nem sobre uma possível relação entre os episódios.

A universidade avalia os danos e estuda alternativas para transferir as atividades dos laboratórios atingidos para outros espaços.

Mais do que reconstruir paredes e substituir equipamentos, a UFPE enfrenta agora o desafio de recuperar sua capacidade de pesquisa. Parte do patrimônio científico destruído representa décadas de trabalho, dedicação e conhecimento que o dinheiro, por si só, não será capaz de devolver.

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