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Crise no STF acende sinal vermelho na campanha de Lula e aumenta pressão por reação de Fachin

Planalto teme impacto eleitoral do confronto entre Moraes e Mendonça e vê atuação do presidente do Supremo como caminho para conter desgaste

A escalada da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) já provoca preocupação no Palácio do Planalto e acendeu o sinal vermelho na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição.

Segundo apuração da colunista Vera Rosa, do Estadão, integrantes do governo e da campanha avaliam que o confronto envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça ultrapassou os limites internos da Corte e passou a representar um risco político para Lula em plena corrida presidencial.

Nos bastidores, a avaliação é de que o presidente do STF, Edson Fachin, precisa assumir papel mais direto na tentativa de conter a crise e evitar que a disputa continue produzindo novos desdobramentos institucionais e eleitorais.

Uma das alternativas discutidas é a possibilidade de Fachin assumir relatorias de investigações hoje sob responsabilidade de Mendonça, entre elas casos relacionados ao Banco Master e ao INSS. A medida é vista por setores do governo como uma possível saída institucional para diminuir a tensão.

Preocupação com reflexos eleitorais

De acordo com o Estadão, pesquisas e monitoramentos das redes sociais analisados pelo Planalto indicam que a crise começa a atingir a campanha presidencial.

O principal temor é de que o desgaste envolvendo Moraes seja transferido politicamente para Lula, devido à proximidade institucional construída entre o governo e setores do Supremo ao longo dos últimos anos.

A preocupação aumenta diante de levantamentos eleitorais que mostram uma disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) em eventual segundo turno.

Apesar da tensão, a orientação entre integrantes da campanha é evitar ataques públicos a André Mendonça e, ao mesmo tempo, não assumir uma defesa direta de Alexandre de Moraes.

Proposta provoca reação dentro do PT

A crise também gerou divergências dentro do próprio campo governista.

A possibilidade de convocação do Conselho da República, sugerida pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, foi recebida com resistência por dirigentes petistas.

Nos bastidores, integrantes do partido consideraram que envolver formalmente o Palácio do Planalto na disputa poderia acabar ampliando ainda mais o desgaste político.

Marco Aurélio afirmou ao Estadão que a proposta era apenas uma ideia para buscar uma solução institucional e que não chegou a ser apresentada ao presidente.

Com a eleição entrando na reta decisiva, a preocupação no entorno de Lula agora é impedir que a crise do Supremo se transforme em um dos principais temas da campanha presidencial e seja explorada pela oposição.

Fonte: Estadão – Coluna de Vera Rosa.

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