O delegado da Polícia Civil Braz Morrone e dois agentes foram presos na manhã desta terça-feira (2), durante uma operação do Ministério Público do Estado da Paraíba (MPBB) e da Polícia Civil do (PCPB), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e da Unidade de Inteligência Policial (Unintelpol), para desarticular uma organização criminosa estruturada e infiltrada em órgãos de segurança pública, investigada pela prática de tráfico de drogas, corrupção, associação com traficantes e outros delitos correlatos.
A operação, que faz parte da articulação convergência nacional, cumpriu nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão, além de medidas patrimoniais consistentes no bloqueio judicial de aproximadamente R$ 10 milhões, com o objetivo de interromper o fluxo financeiro das atividades ilícitas e assegurar eventual reparação de danos. Uma entrevista coletiva sobre o assunto será concedida à imprensa às 10h, no prédio da Delegacia-Geral da Polícia Civil do Estado da Paraíba, localizada na Avenida General Edson Ramalho, 695 – no bairro Manaíra, em João Pessoa.
Investigações
As investigações identificaram a participação de agentes públicos, dentre eles policiais civis, supostamente integrados à estrutura criminosa. De acordo com os elementos informativos reunidos ao longo da investigação, o grupo recebia informações privilegiadas de traficantes acerca de imóveis e veículos utilizados para o armazenamento e transporte de entorpecentes. De posse desses dados, os investigados realizavam incursões clandestinas em imóveis e abordagens a veículos supostamente vinculados ao tráfico de drogas, valendo-se da condição funcional e da aparência de legalidade conferida pelo exercício da atividade policial.
Conforme apurado, durante tais ações, os investigados promoviam a subtração de substâncias entorpecentes, as quais posteriormente eram destinadas à comercialização ilícita, inclusive no interior do sistema prisional, com repartição dos lucros entre agentes públicos e demais integrantes da organização criminosa.
As investigações revelaram, ainda, que parte das drogas encontradas era formalmente apreendida e apresentada em procedimentos policiais, os quais, segundo os indícios colhidos, eram manipulados com a finalidade de conferir aparência de legitimidade às ações criminosas e dificultar a identificação do esquema ilícito.
No curso da apuração, foram identificados elementos que apontam para a retirada clandestina de entorpecentes armazenados em unidade policial, oriundos de apreensões anteriores regularmente registradas, circunstância que evidencia o elevado grau de comprometimento institucional e a audácia da organização criminosa investigada.
Também foi constatado o repasse sistemático de informações sigilosas sobre operações policiais a integrantes do tráfico de drogas, com o propósito de frustrar ações repressivas, evitar prisões e assegurar a continuidade das atividades criminosas.
A operação
O nome “Perfidus”, expressão de origem latina que significa “traidor”, “desleal” ou “infiel à confiança depositada”, foi escolhido em referência à conduta atribuída aos investigados que, segundo os elementos colhidos, teriam se associado a organizações criminosas, utilizando prerrogativas e estruturas estatais para a prática de atividades ilícitas, em afronta aos deveres funcionais e à confiança da sociedade.
A Operação reafirma o compromisso da Polícia Civil e do Ministério Público do Estado da Paraíba com a preservação da integridade das instituições públicas e com o enfrentamento qualificado e imparcial da criminalidade organizada, inclusive quando há indícios de envolvimento de agentes estatais. A atuação conjunta demonstra que eventuais desvios de conduta serão apurados com rigor técnico, responsabilidade institucional e estrita observância do devido processo legal.

