Último confronto presidencial teve menos ataques, discussões sobre economia, obras públicas e políticas sociais. Avaliações destacam diferenças entre o desempenho dos candidatos na forma e no conteúdo.
O último debate presidencial antes do segundo turno, realizado nesta sexta-feira (23), pela TV Globo, colocou frente a frente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em um confronto marcado por estratégias distintas, críticas à condução do país e tentativas de conquistar os eleitores indecisos.
Diferentemente do encontro anterior, promovido pela Band, os candidatos reduziram os ataques pessoais e deram maior espaço às propostas. Apesar disso, momentos de tensão e provocações também marcaram a noite.
As primeiras análises apontam que Flávio apresentou uma postura mais controlada, enquanto Lula apostou no conhecimento da administração pública e na defesa das realizações de seu governo.
Os principais momentos do debate
1. Economia e custo de vida
O poder de compra dos brasileiros esteve entre os principais temas.
Flávio Bolsonaro questionou os preços dos alimentos, a carga tributária e a capacidade das famílias de manter suas despesas até o fim do mês.
Lula respondeu destacando a política de valorização do salário mínimo e os programas sociais, além de comparar as propostas econômicas do adversário com medidas adotadas pelo presidente argentino Javier Milei.
2. Obras paralisadas e investimentos
Flávio abriu o confronto cobrando explicações sobre obras públicas não concluídas e prometeu ampliar os investimentos em ferrovias.
Lula rebateu citando investimentos em rodovias, portos, ferrovias e obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), incluindo a Transnordestina.
O embate evidenciou a disputa entre os candidatos pela apresentação de resultados concretos na infraestrutura nacional.
3. Nordeste e transposição do São Francisco
A discussão sobre o desenvolvimento regional ganhou destaque quando Lula mencionou a instalação da montadora chinesa BYD na Bahia.
Flávio respondeu destacando investimentos na transposição do Rio São Francisco durante o governo de Jair Bolsonaro.
O tema trouxe para o debate a disputa pela autoria e continuidade de obras importantes para o Nordeste, incluindo projetos de segurança hídrica.
4. Provocação sobre os dedos de Lula gera reação
Um dos momentos mais tensos ocorreu quando Flávio Bolsonaro utilizou a expressão “nove dedos” para se referir ao presidente.
Lula reagiu e cobrou respeito, associando a provocação à condição de trabalhadores que sofreram acidentes de trabalho.
A declaração repercutiu negativamente em análises sobre o comportamento do candidato do PL.
5. Saúde, pandemia e políticas públicas
Os candidatos também divergiram sobre a gestão da pandemia de Covid-19 e o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Lula criticou a atuação do governo Jair Bolsonaro durante a crise sanitária. Flávio defendeu redução de gastos com burocracia e combate à corrupção, apresentando essas medidas como caminhos para melhorar a administração pública.
O que dizem os analistas políticos?
Uma das avaliações mais relevantes foi publicada pelo jornalista Thiago Herdy, do Metrópoles, com base no acompanhamento de dez grupos de eleitores indecisos.
Segundo o coordenador da pesquisa qualitativa citado na reportagem, Flávio Bolsonaro apresentou melhor desempenho na forma de se comunicar, enquanto Lula teve vantagem no conteúdo das respostas.
A análise também apontou incômodo dos indecisos com a provocação de Flávio sobre a condição física do presidente.
No UOL, a comentarista Tatiana Farah destacou que Flávio demonstrou mais tranquilidade e uma postura mais profissional do que no debate anterior. Por outro lado, avaliou negativamente a provocação ao adversário.
Sobre Lula, a comentarista observou sinais de irritação, dificuldades na administração do tempo e problemas na voz.
Já a análise publicada pela GZH destacou que o formato adotado pela Globo favoreceu a discussão de propostas e reduziu as provocações. A avaliação também apontou Lula mais concentrado e Flávio mais atento à própria imagem.
Quem saiu fortalecido?
As avaliações sugerem que os candidatos apresentaram vantagens em aspectos diferentes.
Flávio Bolsonaro procurou melhorar sua imagem, adotando uma postura menos agressiva e buscando transmitir segurança.
Lula concentrou seus argumentos na experiência administrativa, nas políticas sociais e no conhecimento das questões regionais.
Entretanto, os dois também enfrentaram dificuldades: Flávio com provocações consideradas inadequadas e Lula com momentos de irritação e problemas na condução das respostas.
Indecisos podem definir o segundo turno
O desempenho diante dos eleitores indecisos é um dos pontos mais importantes da análise.
A pesquisa qualitativa acompanhada pelo Metrópoles indicou percepções diferentes sobre os candidatos, mas não permite concluir que houve uma mudança generalizada na intenção de voto.
Em uma eleição acirrada, a capacidade de conquistar eleitores ainda sem definição e mobilizar os próprios apoiadores poderá ser decisiva.
O debate terminou sem consenso sobre um vencedor absoluto. Flávio recebeu avaliações positivas pela postura, enquanto Lula teve seu desempenho reconhecido pelo conteúdo e pela experiência administrativa.
Com a votação marcada para domingo (25), o impacto efetivo do confronto sobre o eleitorado permanece como uma das principais questões da reta final da campanha.

