Órgão independente cita restrições às contas de Lula e alerta para riscos à liberdade de expressão e à integridade das eleições.
O Conselho de Supervisão da Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, apontou nesta terça-feira (20) falhas recorrentes na moderação de conteúdos políticos durante processos eleitorais. O órgão cobrou mais transparência e critérios consistentes na aplicação das regras das plataformas digitais.
Em comunicado, o conselho destacou restrições técnicas que atingiram contas de anúncios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, durante a campanha presidencial brasileira.
Segundo o órgão, houve aplicação excessiva das políticas de combate a fraudes, prejudicando a circulação de conteúdos políticos legítimos. O caso, conforme a avaliação, deveria ter sido encaminhado para análise de especialistas da própria empresa.
A manifestação ocorre em meio aos questionamentos sobre o tratamento dado pela Meta às campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno da eleição presidencial no próximo domingo (25).
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a empresa comprovasse a adoção de medidas para garantir tratamento igualitário aos candidatos.
A Meta nega interferência deliberada no processo eleitoral e atribui os problemas identificados a incidentes técnicos. Nesta terça-feira, informou à Justiça Eleitoral que adotou providências para assegurar igualdade de tratamento às campanhas.
Cobrança por transparência
O Conselho de Supervisão também citou episódios de remoção indevida de contas de ativistas políticos nos Estados Unidos e alertou que falhas na aplicação das regras podem comprometer tanto a liberdade de expressão quanto a integridade das eleições.
Para o órgão, a Meta precisa divulgar indicadores mais claros sobre a eficácia de seus mecanismos de moderação, permitindo avaliar possíveis erros e seus impactos sobre o debate político.
A manifestação amplia a pressão sobre a empresa na reta final da disputa presidencial brasileira, quando cresce a preocupação com a influência das plataformas digitais no processo eleitoral.
Com informações do Conselho de Supervisão da Meta e Reuters.

