André de Paula afirma que política tarifária norte-americana é “equivocada” e defende medidas do governo federal para socorrer produtores nordestinos
Em agenda na Paraíba nesta segunda-feira (31), o ministro da Pesca e Agricultura, André de Paula fez duras críticas às tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros e afirmou acreditar que as próprias necessidades do mercado norte-americano podem levar o governo de Donald Trump a rever parte das barreiras comerciais.
Durante encontro com representantes do setor produtivo na sede da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), em João Pessoa, André de Paula classificou a política tarifária norte-americana como “equivocada” e “muito injusta” com o Brasil.
O ministro avaliou que os efeitos econômicos das medidas poderão pressionar os próprios Estados Unidos a rever as tarifas. Como exemplo, citou a carne brasileira e argumentou que o mercado norte-americano necessita do Brasil pela capacidade de fornecer grandes volumes do produto, com qualidade e rapidez.
“Nada como a lei do mercado”, declarou André de Paula, acrescentando que “o tempo se encarrega de corrigir as coisas”.
Ministro destaca “mão do governo Lula”
Além das críticas à política comercial norte-americana, André de Paula aproveitou a passagem pela Paraíba para defender as medidas adotadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em favor dos produtores de cana-de-açúcar do Nordeste.
Entre as ações está a subvenção de R$ 12 por tonelada de cana-de-açúcar, destinada aos produtores independentes afetados por dificuldades climáticas e pelos impactos das tarifas norte-americanas.
A medida poderá disponibilizar até R$ 270 milhões para o setor.
Ao comentar a iniciativa, o ministro fez questão de atribuir a ação diretamente ao governo Lula.
“É a mão do governo do presidente Lula que se estende a quem produz cana no Nordeste num momento de desafio”, afirmou.
Na Paraíba, a expectativa é de que aproximadamente 1.400 produtores possam ser alcançados. Em todo o Nordeste, a estimativa das entidades representativas chega a cerca de 17 mil produtores.
Hugo Motta participa das articulações
A construção da medida também teve a participação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que atuou nas articulações em Brasília em defesa do auxílio aos produtores nordestinos.
A agenda em João Pessoa reuniu ainda representantes do setor sucroenergético e o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Silvio Porto.
Agenda segue em Campina Grande
Depois dos compromissos na Capital, André de Paula segue para Campina Grande, onde visita a Embrapa Algodão e o Instituto Nacional do Semiárido (Insa).
A programação inclui a apresentação de pesquisas, laboratórios e projetos relacionados a cadeias produtivas estratégicas para o Nordeste e ao desenvolvimento sustentável do Semiárido.
A passagem do ministro pela Paraíba, portanto, vai além da pauta administrativa. As declarações sobre Donald Trump e a defesa das medidas adotadas pelo governo Lula colocaram no centro da agenda o embate comercial com os Estados Unidos e seus reflexos para o setor produtivo brasileiro.