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EUA aplicam nova tarifa de 12,5% contra o Brasil: Veja justificativa e possíveis impactos

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) anunciou ontem a imposição de um novo tarifaço contra 60 parceiros comerciais, dentre eles o Brasil. As tarifas vão de 10% a 12,5%, possuem uma ampla lista de isenções e se referem a supostas investigações sobre trabalho forçado.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, tomou a decisão final, sob a direção do presidente Donald Trump, com base nas investigações da Seção 301, informou o comunicado. A medida é uma resposta ao que o governo americano julga ser “atos, políticas e práticas de diversas economias relacionadas à falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição a bens produzidos com trabalho forçado”.

A medida será aplicada a partir de hoje aos 60 principais parceiros comerciais dos EUA, que representam 99,4% das importações americanas, informou o USTR. No caso do Brasil, a tarifa será de 12,5%.

  • Confira, a seguir, como será o novo tarifaço, a aplicação aos produtos brasileiros e quais itens ficarão isentos da cobrança:

Como será a nova tarifa dos EUA contra o Brasil?

A tarifa de 12,5% contra produtos brasileiros alcançará cerca de 3 mil produtos, correspondentes a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais aos Estados Unidos, informou a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) em nota.

Segundo a entidade, para 85,3% dessas vendas, equivalentes a US$ 10,7 bilhões, haverá um efeito cumulativo em relação à tarifa de 25% anunciada na semana passada sob a Seção 232 do USTR, o que resultará em uma tarifa total de 37,5%, “um dos níveis mais elevados aplicados pelos Estados Unidos a seus parceiros comerciais.”

Quais produtos são isentos da nova tarifa?

A lista de produtos que ficarão isentos da nova tarifa de 12,5%, além daqueles que já estavam mencionados nas exceções referentes ao tarifaço de 25%, no caso do Brasil, engloba principalmente itens agropecuários, como carne bovina, café, soja, amendoim, açúcar e cacau.

Segundo os EUA, as isenções incluem matérias-primas que, se sujeitas às tarifas, poderiam levar à indisponibilidade do fornecimento interno, uma vez que o país não cultiva ou não produz esses itens em quantidade suficiente para a demanda interna.

Como o Brasil vai responder ao novo tarifaço?

A exclusão de carne bovina e café pode limitar os efeitos das novas tarifas, mas o governo brasileiro reafirmou que estará atento aos setores mais impactados e não hesitará, se necessário, em aplicar a Lei da Reciprocidade.

“O governo brasileiro não pode renunciar à possibilidade de usar o instrumento da reciprocidade. Porque seria abrir mão de um direito que protege a economia brasileira, os interesses do Brasil”, afirmou ontem o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias.

Elias afirmou ainda que há setores que estão sendo “muito sacrificados” pelas tarifas americanas, com destaque para os produtores de madeira. E ressaltou que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é buscar a negociação com os americanos, a fim de reduzir ainda mais os efeitos das tarifas e ampliar as isenções.

A resposta da União Europeia

A União Europeia também está na lista de afetados pelas tarifas. Em resposta, a chefe de política externa da UE, Kaja Kallas, questionou a justificativa de Washington, defendendo que as alegações de falhas nos controles europeus contra o trabalho forçado eram “infundadas”.

“Se você comparar nossas leis trabalhistas com as dos Estados Unidos, temos férias remuneradas, temos condições de trabalho muito boas para nossos funcionários; portanto, isso não tem fundamento”, criticou Kallas, em entrevista à Reuters nesta sexta-feira.

Kallas disse ainda que a UE buscará esclarecimentos junto ao governo Trump, uma vez que o bloco tem cumprido os compromissos do acordo comercial firmado no ano passado e, por isso, as novas tarifas são “uma surpresa negativa”.

Por Gustavo Boldrini, da Broadcast

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