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HISTÓRIA: Homem de coragem e decisão, Jório Machado completaria 89 anos de vida

Se vivo estivesse, o jornalista, advogado, professor da UFPB, deputado estadual e Procurador da Assembleia Legislativa da Paraíba, Jório de Lira Machado, completaria 89 anos de idade nesse 25 de janeiro.

Filho da professora Maria Anália de Lira Machado e do agente fiscal Antônio Guimarães Machado, Jório Machado nasceu em Teixeira, sertão paraibano. Logo cedo desceu a Serra para vencer na vida em João Pessoa, “trabalhando duro e estudando muito”, como costumava dizer.

Aos 16 nos já frequentava as redações dos matutinos O NORTE, CORREIO DA PARAÍBA e A UNIÃO. Fora da Paraíba pertenceu aos quadros do JORNAL DO BRASIL e a da REVISTA MANCHETE. Destacou-se na profissão por seu espírito de combatividade, sobretudo diante das questões sociais do seu tempo.

Fundador da gráfica e agência de propaganda Iterplan, foi pioneiro no Nordeste na implantação do sistema offset de impressão, no início da década de 70. No mesmo período, em 1974, fundou o jornal O MOMENTO, que se transformou num canal aberto de todas as correntes de pensamento, sem censura, sem policiamento ou patrulhamento de qualquer ordem.

O MOMENTO ganhou força e prestígio exatamente pela linha democrática que mantinha e por se transformar numa trincheira de combate aos gestores corruptos, que se locupletavam do dinheiro público descaradamente, aprofundando ainda mais as injustiças sociais existentes na época.

“O MOMENTO que ele plantou, construiu e sustentou com muita coragem e destemor foi esse. Sem subserviência, sem subterfúgios, mas com a verdade estampada em suas páginas de forma irrefutável, porque todas as suas denúncias vinham municiadas de provas documentais. Ao longo de toda sua carreira profissional, de cidadão e de homem público, se pautou assim, com decência, honradez, retidão, seriedade e não por menos sempre foi devidamente respeitado, e sua memória ainda continua sendo alvo de felizes lembranças”, disse Cristiano.

DEPUTADO ESTADUAL

Atraído pela política, foi eleito deputado estadual em 1982 pelo PMDB com quase 15 mil votos, dos quais 8 mil foram obtidos na Capital, numa das mais memoráveis campanhas eleitorais. Sua votação representou, na época, 10% do eleitorado pessoense, um recorde até então inatingível. O slogan de campanha O MOMENTO É AGORA!, caiu como uma luva.

Como parlamentar centrou seu mandato na fiscalização rigorosa das ações administrativas do governa época, direcionando seus discursos no combate permanente à violência, a corrupção e à mentira. Foi graças à sua eterna vigilância na Assembleia, que o Tribunal de Contas do Estado anulou uma concorrência fraudulenta do estado com a Construtora Tambau que traria prejuízos de milhões à Paraíba.

Em 1984 ele se desfazia d´O MOMENTO, não se reelege em 1986 (a força dos homens da mala chegava à Paraíba com muito poder de fogo para comprar mandato) e com a eleição do governador Tarcísio Burity é convidado para assumir a Superintendência de A União, onde promoveu uma verdadeira organização administrativa e financeira na casa. Dois anos depois ele deixa o governo e retorna à iniciativa privada, fazendo ressurgir o também semanário O COMBATE, no mesmo prédio onde funcionou O MOMENTO.

Além de deputado estadual, Jório foi secretário de Justiça e Cidadania, no governo de Antônio Mariz e Secretário de Comunicação Institucional, no governo de José Maranhão; foi Procurador da Assembleia Legislativa da Paraíba; professor das cadeiras de Comunicação Social e de Direito da UFPB.

Jório de Lira Machado faleceu no dia 21 de julho de 2003, após acidente automobilístico próximo a Santa Luzia, quando retornava da cidade de Teixeira. Do primeiro casamento com a professora Cleide Xavier de Lira Machado, ele deixou três filhos (o engenheiro civil Alexandre Machado, a advogada aposentada do TRT, Larissa Machado e o jornalista e bacharel em Direito Cristiano Machado). Do segundo casamento com Elizabeth (Betinha) Gonçalves Silveira, também já falecida, ele deixou o filho Jório Machado da Silveira, advogado e músico. Deixou também os netos Monique Machado (in memorian); Natasha, Jório, Victor, Jéssica, Gabriel, Lucas e Igor. Não viveu a tempo de conhecer os bisnetos Pedro, Téo, Ravi e Liz.

A bancada do PMDB na época fazia muito barulho

PERSEGUIÇÃO EM 1964

Quando o Golpe Militar de 1964 eclodiu, Jório Machado era jornalista do Correio da Paraíba. Alí mantinha uma Coluna diária e exercia o que se chama de jornalismo investigativo. Ele não era filiado a nenhum partido político, mas via com simpatia as lutas contra as injustiças sociais, especialmente no campo, travadas pelas Ligas Camponesas, que tinha a frente o ex-deputado Assis Lemos, seu amigo.

No livro 1964: “A Opressão dos Quartéis”, Jório Machado escreve, do próprio punho, a sua trajetória de preso político, desde a prisão em João Pessoa, até Fernando de Noronha.

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