'QG da propina': Prefeito Marcelo Crivella é preso no Rio de Janeiro e afastado do cargo pela justiça

'QG da propina': Prefeito Marcelo Crivella é preso no Rio de Janeiro e afastado do cargo pela justiça

Em ação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) foi preso nesta terça-feira (22). A prisão é um desdobramento da Operação Hades, que investiga um suposto 'QG da Propina' na Prefeitura do Rio.

Além de Crivella, também foram presos o empresário Rafael Alves (suspeito de ser o chefe do esquema de propinas e irmão de Marcelo Alves, ex-presidente da RioTur), Mauro Macedo (ex -tesoureiro da campanha de Crivella) e o ex-vereador Fernando Moraes (também ex-delegado).

Também é alvo da operação o ex-senador Eduardo Lopes (Republicanos). Ele não foi encontrado no momento da abordagem da polícia. O político possui em casa em Belém, onde estaria passando férias. Cristiano Stokler e o empresário Adenor Gonçalves são outros alvos da operação.

Crivella foi preso em casa, às 6h, na Barra da Tijuca, por policiais que cumpriam mandado de prisão expedido pelo Ministério Público.

Na sequência, o prefeito e os outros detidos na operação foram encamihado para a Cidade da Polícia, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Crivella entrou pelos fundos e foi o terceiro a chegar ao local.

"Lutei contra o pedágio ilegal, tirei recursos do carnaval, negociei o VLT, fui o governo que mais atuou contra a corrupção no Rio de Janeiro", disse o prefeito.

Um dos motivos do Ministério Público do Rio para pedir a prisão do prefeito carioca Marcelo Crivella (Republicanos) foi o fato de, quando foi alvo de operação de busca e apreensão, em setembro, ele ter entregue um celular para os investigadores que não era o dele.

A denúncia feita pelo MP descreve em detalhes as suspeitas sobre a conduta de Crivella no dia 10 de setembro, quando agentes foram à sua casa, na Barra da Tijuca, cumprir mandado de busca e apreensão.

Crivella está a menos de duas semanas de concluir o mandato, que se encerra em 31 de dezembro deste ano. Em novembro, Crivella não se reelegeu após ser derrotado por Eduardo Paes (MDB) nas eleições muncipais do Rio de Janeiro.

A prisão de Crivella "antecipa" chegada do DEM à Prefeitura do Rio. A cidade está sem vice-prefeito desde maio de 2018, quando o então titular do cargo, Fernando Mac Dowell, morreu.

Com isso, o presidente da Câmara Municipal, Jorge Felippe (DEM), deve assumir o comando da capital fluminense até 1º de janeiro, quando o prefeito eleito, Eduardo Paes (DEM), tomará posse.

O 'QG da propina'

Segundo as investigações, o empresário Rafael Alves recebia cheques de empresários para intermediar o fechamento de contratos com a RioTur ou viabilizar o pagamento de dívidas do município do Rio de Janeiro com eles.

Considerado o operador do esquema de propinas, Rafael é irmão de Marcelo Alves, ex-presidente da RioTur.

As investigações foram iniciadas no ano passado, após colaboração premiada do doleiro Sérgio Mizrahy, preso pela Operação Câmbio, Desligo. Os valores envolvidos permanecem em sigilo.

A desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita suspendeu hoje (22) o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, do exercício da função. O mandato de Crivella terminaria no próximo dia 31.

A decisão está no despacho em que a magistrada acatou denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e decretou prisão preventiva de sete denunciados em um desdobramento da Operação Hades, que apura corrupção na prefeitura e tem como base a delação do doleiro Sergio Mizrahy. Foram presos mais cinco acusados de envolvimento no esquema. O ex-senador Eduardo Lopes não foi encontrado no endereço no Rio.

Segundo a desembargadora, o afastamento do prefeito foi determinado com base no Artigo 319, Inciso VI do Código de Processo Penal.

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