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Mendonça admite encontro com Vorcaro e diz que reunião tratou de precatórios; crise no STF ganha novo capítulo

Relator do caso Banco Master afirma que recebeu o banqueiro uma única vez e nega favorecimento; revelação ocorre em meio à disputa sobre mensagens envolvendo Alexandre de Moraes, reação da PGR e anúncio de medidas por Fachin

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), admitiu ter recebido Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, em março de 2025. Segundo o magistrado, o encontro ocorreu por iniciativa do próprio empresário e teve como assunto uma ação em tramitação no Supremo envolvendo créditos de precatórios de interesse do Banco Master.

A confirmação foi feita pelo gabinete de Mendonça nesta quarta-feira (2), após a divulgação de informações sobre a reunião. De acordo com a versão apresentada pelo ministro, ele recebeu Vorcaro apenas uma vez e “se limitou a ouvi-lo”. No mesmo mês, Mendonça também recebeu o advogado do empresário e afirma manter nos registros de seu gabinete os memoriais entregues durante as tratativas.

O ministro sustentou ainda que sua atuação no processo acabou sendo contrária aos interesses defendidos por Vorcaro e afirmou que não comenta diálogos privados mantidos entre terceiros. Segundo o gabinete, a conduta do magistrado foi pautada pela legalidade e pela impessoalidade.

A revelação acrescenta um novo componente à crise instalada no Supremo em torno das investigações do Banco Master. Mendonça é atualmente o relator do caso e foi justamente quem determinou a produção de um relatório da Polícia Federal que expôs mensagens encontradas no celular de Vorcaro envolvendo autoridades, entre elas o ministro Alexandre de Moraes.

PGR pede anulação do relatório

Um dos principais desdobramentos ocorreu com a reação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que pediu a anulação do relatório produzido pela Polícia Federal.

Para a PGR, Mendonça teria ultrapassado os limites de atuação de um magistrado ao determinar que a polícia analisasse pessoas específicas sem pedido prévio do Ministério Público ou iniciativa da própria autoridade policial. Gonet sustenta ainda que eventual investigação envolvendo um ministro do Supremo precisaria ser submetida à apreciação do próprio tribunal.

Na avaliação apresentada pela Procuradoria, como as diligências acabaram alcançando Alexandre de Moraes, o procedimento deveria ter passado pelo presidente do STF e pelo plenário da Corte.

Mendonça quer levar caso ao plenário

André Mendonça, por sua vez, defende que as revelações sejam discutidas pelos 11 ministros do Supremo em sessão presencial.

O relator pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, que marque uma sessão para analisar os elementos levantados pela Polícia Federal. Mendonça classificou o plenário como o caminho adequado para uma análise “técnica e estritamente jurídica” do material e defendeu que o debate ocorra publicamente.

Entre os elementos apontados pela investigação estão mensagens atribuídas a Vorcaro nas quais o banqueiro buscava encontros com Moraes e demonstrava preocupação com as investigações pouco antes de ser preso em novembro de 2025.

Segundo os dados analisados pela PF, dois dias antes da prisão, Vorcaro perguntou ao interlocutor identificado pelos investigadores como Moraes se deveria deixar o País. O conteúdo recuperado do aparelho não permite saber qual teria sido a resposta do ministro.

A investigação também identificou registros de encontros e tratativas anteriores entre os dois. Moraes ainda não apresentou manifestação pública detalhada sobre o conteúdo do relatório citado nessas reportagens.

Fachin anuncia medidas

A crise ganhou mais um capítulo na manhã desta quarta-feira. O presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que adotará nos próximos dias as medidas “cabíveis e necessárias”.

Sem citar nominalmente Alexandre de Moraes, André Mendonça ou Daniel Vorcaro, Fachin afirmou que a elevada autoridade do cargo de ministro do Supremo não representa privilégio, mas impõe deveres, limites e responsabilidades, que precisam ser observados de acordo com a Constituição e as leis.

A declaração aumenta a expectativa sobre qual será a resposta institucional do Supremo diante da disputa entre Mendonça e a PGR e das revelações envolvendo Vorcaro e integrantes da Corte.

Agora, além das mensagens atribuídas à interlocução entre Vorcaro e Moraes, o próprio relator das investigações confirma que também manteve encontro com o ex-controlador do Banco Master em 2025.

O ponto central passa a ser a decisão do plenário do STF: caberá à Corte definir se o relatório produzido pela Polícia Federal permanece válido e quais providências poderão ser adotadas a partir das informações encontradas nos aparelhos de Vorcaro.

Com informações de Estadão/Agência Estado

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