A abertura do evento ‘Vozes que Transformam’ reuniu, nesta quarta-feira (17), representantes do sistema de Justiça, do Governo do Estado, de entidades da sociedade civil e da rede de proteção às mulheres no auditório do Ministério Público da Paraíba (MPPB), em João Pessoa. A programação contou com a participação da ativista Maria da Penha Maia Fernandes, símbolo nacional da luta pelos direitos das mulheres e inspiração para a criação da Lei Maria da Penha, que completa 20 anos de vigência.
Representando o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), a coordenadora da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, juíza Graziela Queiroga, ressaltou a relevância da presença de Maria da Penha no Estado. “Estamos aqui como apoiadores deste grande evento, trazendo Maria da Penha até nós em um ano emblemático, quando a lei completa 20 anos. Ela mudou a história das mulheres brasileiras ao dar visibilidade a uma violência que durante muito tempo foi naturalizada. Ainda temos muitos avanços a conquistar nas políticas públicas e no cuidado com as mulheres, mas a presença dela fortalece ainda mais esse enfrentamento”, afirmou.
O procurador-geral de Justiça da Paraíba, Leonardo Quintans, destacou que a construção de uma sociedade mais justa depende do envolvimento coletivo. “O trabalho de combate à violência contra a mulher precisa ser feito em várias frentes. O sistema de Justiça atua na repressão, mas a educação e a prevenção são igualmente fundamentais. A presença de Maria da Penha nos inspira e nos lembra que, mesmo após duas décadas da lei, ainda temos muito trabalho pela frente para garantir respeito, dignidade e participação plena das mulheres em todos os espaços da sociedade”, declarou.
Ao falar para a imprensa, Maria da Penha defendeu a ampliação das políticas públicas nos pequenos municípios e reforçou a importância da rede de apoio para mulheres em situação de violência. “O mais importante é levar para os pequenos municípios as políticas públicas que ajudam a mulher a sair da situação de violência. Muitas vezes ela não sabe que é vítima ou não tem confiança para denunciar. Por isso, precisa de acolhimento, orientação e apoio. A solidariedade é essencial para que essa mulher encontre forças para buscar seus direitos”, destacou.
Ela também chamou atenção para o papel da educação na transformação social. “Sem educação, não desconstruiremos a cultura da violência. É preciso investir na formação das novas gerações para que possamos construir uma sociedade baseada no respeito e na igualdade”, acrescentou.
Coordenadora do Centro de Mulheres Jardim da Esperança, Maria Juscelina Barbosa destacou a trajetória da instituição, que há mais de duas décadas atua no acolhimento e na defesa dos direitos das mulheres. “O Centro de Mulheres foi um escape para mim e para muitas outras mulheres. Foi através dessa associação que comecei a conhecer meus direitos e a buscar apoio. Hoje, concluímos essa caminhada com um grande evento, reunindo mulheres que aprenderam sobre a Lei Maria da Penha e sobre as políticas públicas que construímos juntas ao longo desses anos”, afirmou.
A programação do ‘Vozes que Transformam’ segue ao longo do dia com debates, atividades de conscientização e ações voltadas ao fortalecimento da rede de enfrentamento à violência contra a mulher. No período da tarde e da noite, as atividades serão realizadas no Teatro Paulo Pontes, com sessão de autógrafos de Maria da Penha e a apresentação do espetáculo “Do Silêncio à Voz”.
Promovido pelo Centro de Mulheres Jardim da Esperança, de Bayeux, em parceria com órgãos do sistema de Justiça e instituições governamentais, o encontro tem o objetivo de fortalecer o diálogo, ampliar a conscientização social e reforçar as ações de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher.
Com Ascom TJPB

