A Justiça da Paraíba negou o pedido de prisão domiciliar humanitária ao delegado Braz Morroni de Paiva Júnior, detido na Operação Perfídus. A defesa alegou que ele possui um diagnóstico de câncer de próstata. O policial é investigado por suspeita de integrar uma organização criminosa voltada para o desvio e revenda ilegal de drogas apreendidas pela Polícia Civil.
O pedido baseou-se em relatórios de saúde referentes aos anos de 2023 e 2024, período em que Morroni realizou uma cirurgia oncológica. No entanto, , a juíza Michelini de Oliveira Dantas, da 1ª Vara Regional de Garantias de João Pessoa, indeferiu o pedido inicial. A magistrada ressaltou que a defesa não anexou nenhum laudo médico atualizado que comprove o reaparecimento da doença.
De acordo com a decisão judicial, o exame traumatológico realizado no dia da audiência atestou a integridade física do custodiado. O documento não registrou nenhuma lesão ou queixa de debilidade que justificasse a concessão do benefício humanitário. Com a negativa, o delegado foi mantido em prisão temporária por 30 dias e encaminhado para o Presídio Especial do Valentina, na capital do estado.
Outro fundamento técnico utilizado para rejeitar a conversão foi a incompetência do juízo da audiência de custódia para decidir sobre o mérito do pedido humanitário. A magistrada explicou que o requerimento deve ser avaliado no âmbito do processo principal que determinou a prisão. Por conta disso, a análise definitiva caberá à 2ª Vara de Garantias de João Pessoa, órgão responsável pelo caso.
A juíza titular da 2ª Vara de Garantias, Conceição Marsicano, foi quem emitiu originalmente as ordens de prisão temporária contra o delegado e os demais alvos. Antes de proferir sua decisão sobre o mérito, a magistrada solicitou vistas ao Ministério Público da Paraíba (MPPB). O órgão ministerial deverá emitir um parecer oficial sobre a situação médica do preso para embasar a futura resolução judicial.
A operação policial, batizada de Perfídia — termo que significa “traição” ou “deslealdade” —, investiga crimes de tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. No total, a ofensiva mobilizou as forças de segurança para o cumprimento de nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão. O Poder Judiciário determinou ainda o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões das contas dos investigados.
Entre os policiais civis detidos na operação está o agente Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido pelo apelido de “Bomba” ou “Bombado”. Segundo as investigações da Polícia Civil, Everton atuava como o operador central da organização criminosa. A função dele dentro do esquema era fazer a ponte direta de comunicação e negociação entre os policiais corruptos e os traficantes da região.
O segundo policial envolvido é o investigador Eduardo Jorge Ferreira do Egito, apelidado pelas autoridades de “Mão Branca”. Os relatórios apontam que ele participava diretamente da subtração das substâncias entorpecentes apreendidas. O agente monitorava carregamentos com o uso de rastreadores tecnológicos e armazenava as drogas em sua própria residência. Também foram presos João Wicttor, Brendo Roberth, Paulo Ricardo, José Alexandrino, Vanessa Dantas e Dankennedy Vieira.
O delegado Braz Morroni exercia suas funções na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT) de João Pessoa antes de ser detido. Com uma carreira na instituição que soma mais de 20 anos, o servidor já havia comandado outras unidades, incluindo a Delegacia de Repressão a Entorpecentes. A investigação aponta que o grupo usava a estrutura do Estado para favorecer as atividades da facção criminosa.